sábado, 9 de fevereiro de 2013

exercício do olhar


 
 
exercício do olhar
 


o olho uníssono
vê : pálpebras polidas onde se exaure
o olhar de luz e sombra
raro circulado de fetiches

unhas à lufadas de hálitos
entre papéis de parede e redes na varanda

uma forma de ver
o comover de crepúsculos primaveris
o cicio da boca

o olho
aspiro esse olhar em pretidão
onde não há espinhos de rosas nem anjos de asas
de seda

somos uníssonos sombras luzes
e poeira

quem ? somos ? eu não falo por mim nem por ninguém !

meus olhos vi(d)rados – vê : madrepérolas íris em cor

[ pó e ira sem eira nem beira ] arco-íris
um siri anda de lado
na areia da praia

e as pombas-rolas encharcadas
na calçada em frente de casa
sem casa

como eu sem nada sem asas
e somos uníssonos dizem
as más línguas

vê : maltrapilho que sou

lembra daquele romance ? não me recordo do nome
do autor do romance
que não deu certo

enfim – o olho vibra fecha e refecha
[ cheio de remela ]
e ouço o mesmo som
a névoa que há
na varanda
 
 

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