sexta-feira, 6 de abril de 2012

era uma vez era


era uma vez era




o ribombo do tambor
transborda o labirinto
de ezra pound
- era uma vez era –
uma veneza

o elogio da loucura
de um canto de nereidas
o espectro incenso
esplêndido rescende
a vibrante pirâmide
contemplada que medita
entre pétalas brancas
as pedras pálpebras
de pérolas e seixos rolados

então
passaram-se dez anos
rompendo as farpas
roxas das rochas
o musgo esverdeado
das tramas das falésias
encostadas no mar
amarelo ?

e o elo entre
mármore e a morte ?

é o cheiro
de flores plásticas
e essa máscara que encobre
o rosto ouro-ambarino

põe à prova
apenas uma vela
que se mostra
num mastro de carvalho
o orvalho é o olho
são os gestos
o aroma do arpão
relâmpago indigesto
onde instalou-se
a fervura mais profunda da fer
rugem
ventos que engendram
às copas das grandes
árvores


2 comentários:

  1. Passando para uma leitura, amigo Luiz! Grande fds pra ti!

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  2. Luiz Gustavo, que viagem maravilhosa fiz no teu blog!
    Aplausos, todos...adorei tudo que li aqui!

    Parabéns, poeta.
    Cacau

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