quarta-feira, 28 de março de 2012

ronda


ronda



um pássaro
de pedra esmeralda
dança no espantalho alumínio
enquanto os mortais
em jarros de vinho

quem desses
- de osso a oco -
embrulha o dia amarelo ocre
e o leva prá casa
surrado entre o sovaco
e o suado corpo ?

a estrela vespertina
incendeia
a elegância da noite
tão fósforo em silêncio d’água

que fazer diante
dos despojos do pássaro ?
recolher-se ao inferno dos ácaros ?

sair deste lugar agora –
ágora de celebrações úmidas
de chão batido encardido
onde o sangue estendido
murmura-se entre
paralelepípedos

devorem a árvore
[ sua carne indigesta ]
onde o velho pássaro
anoitece de olhos abertos
andarilho em ronda
auricular

2 comentários: