quarta-feira, 28 de março de 2012

ronda


ronda



um pássaro
de pedra esmeralda
dança no espantalho alumínio
enquanto os mortais
em jarros de vinho

quem desses
- de osso a oco -
embrulha o dia amarelo ocre
e o leva prá casa
surrado entre o sovaco
e o suado corpo ?

a estrela vespertina
incendeia
a elegância da noite
tão fósforo em silêncio d’água

que fazer diante
dos despojos do pássaro ?
recolher-se ao inferno dos ácaros ?

sair deste lugar agora –
ágora de celebrações úmidas
de chão batido encardido
onde o sangue estendido
murmura-se entre
paralelepípedos

devorem a árvore
[ sua carne indigesta ]
onde o velho pássaro
anoitece de olhos abertos
andarilho em ronda
auricular

segunda-feira, 19 de março de 2012

estações

estações 



celebremos
os destenebrantes timbres
sobre as membranas da tarde

[ branca aberta acre ]

as sombras dos labirintos
sobrevivem rompidas
entre bailarinas
no rubor da aurora
nácar

[ amarílis de amarelo-mel ]

um arco-íris em ti
caberá esse estertor
efêmero de libélulas
austeras

e chove
sobre a cidade
a procela de mandíbulas
odorantes libérrimas

por entre as brumas
a lâmina agoniza
toda esperança de dardejar
um olhar escarlate

estações passam
pelas esteiras ranzinzas

[ eretas e nefandas nuvens citrinas ]

a cortejarem enciumadas
olhares crescentes
de girassóis

aquiagora
o purgatório fervilha
de crepúsculos concretos
onde a vidativa – se reativa -

celebremos a via láctea
- à pleniluz - cravejada
de pirilampos