sábado, 21 de janeiro de 2012

um fio de sol medita


um fio de sol medita



I.

veja
que o silêncio brumoso
designa o limite instigado
pela vertigem tingida
de verde selvagem
e detém o desejo suspenso
tendo um céu obscuro
em imensos sonhos
para alçar a alma
na agonia mais pro-
funda - o escândalo -
entre o sono reservado
e espumas íntimas
um perfume de sândalo


II.

e a imagem
conduzida concebida induzida
miragem que se desliza
ao entardecer pelo horizonte
mais raro e pleno
onde os traços do silêncio
no mais solitário
se extingue (n)a quietude inflamada
da ausência do sopro
[ árido exausto cálido ]
do vento diário
no instante espesso
do orvalho mais suave
relâmpagos de silhuetas


III.

sua manobra
por esta dádiva infalível
de fábulas entris-
tecidas de algodão âmbar
no olhar do espelho
[ sobre um mar de trevas ]
insinua nuances de nudez estelar
enquanto estrela
de uma nebulosa
suge(r)
          indo ao destino:

o abismo


IV.

esta tempestade
[ de mistérios ]
que se prepara sobre
a noite de vagalumes
irradiando luzes de festa
no mais profundo silêncio
jamais - um âmbito de estrelas -
comoveria o inseto
(n)este incensário de fogaréus
registrados na memória
cuja lembrança mais insana
como se frágil lanterna
- cessaria o universo -
esta profusão de cores
de dissolvidos horrores
em um respingo de lágrimas
sobre os ombros da sombra
um fio de sol medita :

- o silêncio do cenário -
 

2 comentários:

  1. é silenciosa -
    quase um claustro -
    a casa onde o corpo do poeta
    habita
    enquanto a alma em polvorosa
    vagueia por labirintos
    ladeados de pomares e jardins de corais

    bjs

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  2. y el hilo solar
    se abraza
    al humo
    del sándalo*

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