sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

o labirinto



o labirinto





é aqui
o provisório abismo
este rosário de calêndulas ?

pálido pêndulo de asas
horizonte de estrelas donzelas

- calendários -

é aqui
o solitário pórfiro
este imaginário de istmos ?

dilúvio desvio de lírios
rios de urânios píncaros

- imagismos -

é aqui
o purgatório cósmico
este estrelário de brilhos ?

luxúria lunária de chumbo
solventre de escamas agônicas

- estribrilhos -

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

em meu ofício ou arte


em meu ofício ou arte



tradução do poema " in my craft or sullen art"
- Dylan Thomas ( 1914 / 1953 )




em meu ofício
ou arte
sombria e pregada
quando

à noite-tarde
a lua vociferava
e os amantes se rendendo
com todas as dores
em seus tentáculos

eu me empenho
à essa luz
cantando

não por honra pão
– fausto – ou o refúgio
de fascínios sobre palcos
de marfim

mas pela mais pura
recompensa rara
do seu coração
não revelado

não para o vaidoso
distante da lua colérica vou
compondo

(n)estas páginas à deriva
nem aos mortos – altaneiros –
com seus pássaros
e salmos

mas para os amantes
– e seus braços –
ornando

as mágoas - do tempo - sem alarde
que não retribuem elogios
nem percebem meu ofício
ou arte

........................................



in my craft or sullen art


( by Dylan Thomas - 1914 / 1953 )



in my craft or sullen art
exercised in the still nigth
when only the moon rages
and the lovers lie abed
with all their griefs in their arms
I labour by singing ligth
not for ambition or bread
or the strut and trade of charms
on the ivory stages
but for the common wages
of their most secret heart

not for the proud man apart
from the raging moon I write
on these spindrift pages
not for the towering dead
with their nightingales and psalms
but for the lovers their arms
round the griefs of the ages
who pay no praise or wages
nor heed my craft or art

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

temporais de estrelas



temporais de estrelas



ouça
a palavra
úmida insuflar
dorsos sangrados

outra vez : ouça-a úmida
entre ouvidos como asas
soar plúvia

ouça
a estrela vésper
e seu âmbito d ’ estrelário
engendrar outras
estrelas

no céu
além do escarcéu
muito além
do escarsol
sobre à beira-céu:
a alma

- (des)envolvê-la -

fazer-se névoa
à luz esparsa re-
verbera velando
em trevas de veludo
pre cioso a pedra fer
ruge(m)

fendas no fundo
su ave
vendo-se
e
(re)pousa(m) sob

tem
por
ais

de estrelas...

sábado, 21 de janeiro de 2012

um fio de sol medita


um fio de sol medita



I.

veja
que o silêncio brumoso
designa o limite instigado
pela vertigem tingida
de verde selvagem
e detém o desejo suspenso
tendo um céu obscuro
em imensos sonhos
para alçar a alma
na agonia mais pro-
funda - o escândalo -
entre o sono reservado
e espumas íntimas
um perfume de sândalo


II.

e a imagem
conduzida concebida induzida
miragem que se desliza
ao entardecer pelo horizonte
mais raro e pleno
onde os traços do silêncio
no mais solitário
se extingue (n)a quietude inflamada
da ausência do sopro
[ árido exausto cálido ]
do vento diário
no instante espesso
do orvalho mais suave
relâmpagos de silhuetas


III.

sua manobra
por esta dádiva infalível
de fábulas entris-
tecidas de algodão âmbar
no olhar do espelho
[ sobre um mar de trevas ]
insinua nuances de nudez estelar
enquanto estrela
de uma nebulosa
suge(r)
          indo ao destino:

o abismo


IV.

esta tempestade
[ de mistérios ]
que se prepara sobre
a noite de vagalumes
irradiando luzes de festa
no mais profundo silêncio
jamais - um âmbito de estrelas -
comoveria o inseto
(n)este incensário de fogaréus
registrados na memória
cuja lembrança mais insana
como se frágil lanterna
- cessaria o universo -
esta profusão de cores
de dissolvidos horrores
em um respingo de lágrimas
sobre os ombros da sombra
um fio de sol medita :

- o silêncio do cenário -