quarta-feira, 16 de novembro de 2011

céu de vidro


céu de vidro




o tempo
me (ex)pulsou
a vida inteira
para explodir em versos
ao vento ligeiro


não quero
o céu profundo
dentro em mim
mas o que inflama
toda a poesia
que arde em chamas

um jardim para meu fim:
rumores de asas
flores pássaros
sobre as cinzas
pedras sobre a terra
dispostas nos poros
desatados deste corpo

por trás dos sonhos
sinto-me leve dos pulsos
que gritam toda a nódoa
do mundo

quem quiser saber o que fui
afogue-se em meus poemas


nesta manhã desventrada dos céus - o silêncio -
ouço apenas o silêncio


o tempo é escasso
e quando o sol se pôr
estarei livre dos sonhos
de meus versos guardados


tudo se esvai - até a dor deste poema -

e por toda (p)arte
o meu amor é preciso


( um f(r)io denso me invade )
e por toda parte
é o meu amor preciso

- quero inventar um poema:

um vento de seda -
borboletas abanam as asas
no silêncio cristalino

meus versos inflamarão
em todas constelações
nacos da minha alma

crepúsculo –
após uma vida curta
a noite se alonga...

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