sábado, 8 de outubro de 2011

outubro - bruto e rubro



outubro - bruto e rubro



a luis antonio medeiros de matos  -  ( 1969 / 2011 ) ***




nesse papel
o sangue jorra pela jugular
após o ribombar do trovão

sobre a pele
o fardo é forjado ao troar atroz
do frio olhar do coração

agora a chuva rubra
escorre pelas fissuras da rua
- espessa -
num silêncio por dentro

um hiato
e tomba um verso incendiado
no saguão de cinzas movediças

o cortejo
aos solavancos segue seu destino: irreprimível

dorme a dor dentro de nós
enquanto um inseto corrompe a tarde
através da porta corroída
zunindo aos trovões

nos apartando para sempre

.................................


*** luis antonio medeiros de matos, 42 anos de idade, policial civil da cidade de caxias do sul/rs, há 20 anos, amigo 
     e colega, tombou hoje 06/10/2011, às 13h35min, no cumprimento de seu dever, em ação policial contra o tráfico.

Um comentário:

  1. alguns dormem mais cedo o sono do nunca mais...que belo poema-homenagem você escreveu! meu abraço

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