sábado, 8 de outubro de 2011

o tambor - o acerto de contas



o tambor – o acerto de contas



( transcriação do poema  "Call to Account" / 1917 - de Vladimir Maiakovski - 1893 / 1930 ) 



o tambor de guerra – o troar dos trovões –
invoca: ferro impelido aos vivos

em todas as “ trevas “          (1)
- escravo após escravo -
(en)cravados no aço da espada

por quê ?
a terra treme
(á)vida
e usurpada

- a Terra em sangue é vaporizada -     (2)

assim
somente
em algum lugar
possa se apossar da águia-tirana        (3)

horda atada bárbara e humana 
- golpe após golpe - atinge o mundo

para os navios
passarem ilesos
através do bósforo (4)

em breve
este mundo
- sem vértebras -
terá sua alma arrancada
e por alguém – calcada –

terão os leigos
- em suas mãos -
a terra dos entre-rios (5)

por que
um coturno
aniquila a Terra – fissurada áspera ?

o que há nos combates do além-céu
– liberdade ? deus ?

– metais !

quando ascenderes aos céus
dando-lhes sua vida !?

quando sondares o semblante:
por que(m) lutamos !? 



NOTAS:

1. “ Trevas ” – Refere-se as terras invadidas;

2. Terra. A humanidade.

3. Águia-Tirana - A águia bicéfala negra é o emblema da bandeira da
    Albânia, País europeu situado nos Balcãs e no Mar Adriático. Tirana é
    sua capital;

4. Estreito de Bósforo, que liga o Mar Negro ao Mar de Mármara, na
    Turquia, limitando a Europa da Ásia. Seu nome significa “ passagem
    do boi “ e se refere a história de Io, jovem amada por Zeus, transfor-
    mada por ele em boi, e perseguida por uma mosca sugadora envia-
    da por Hera;

5. Terra dos Entre-rios (delta). A Mesopotâmia; 

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Call to account  ( poema de Vladimir Maiakovski  )



the drum of war thunders and thunders
it calls: thrust iron into the living
from every country
slave after slave
are thrown onto bayonet steel
for the sake of what ?
the earth shivers
hungry
and stripped
mankind is vapourised in a blood bath
only so
someone
somewhere
can get hold of albania
human gangs bound in malice
blow after blow strikes the world
only for
someone’s vessels
to pass without charge
through the bosporus
soon
the world
won’t have a rib intact
and its soul will be pulled out
and trampled down
only for someone
to lay
their hands on
mesopotamia
why does
a boot
crush the earth — fissured and rough ?
what is above the battles’ sky -
freedom ?
god ?
money !
when will you stand to your full height
you
giving them your life ?
when will you hurl a question to their faces:
why are we fighting ?



Fonte: Max Hayward e George Reavey - 1960

Transcrição: Mitch Abidor

2 comentários:

  1. Obrigada pelo poema que enviaste. Já sigo este teu espaço.
    abçs. bom domingo

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  2. em breve o mundo continuará a ser o mesmo sem meu mundo de travessia ínfima frágil fosforátil, sem o meu mundo o mundo será sendo o mesmo nada muda só a muda palavra rota arrotada de boca a porca, meu breve mundo é em breve e tudo será o mesmo de nada. e tudo será o sempre mesmerlado de estrada e nada há além do mundo de cada meu e seucéu ser seu corcelário. mas esse tamboruiva e vibra ainda na terra e depois é treva na lâmina da espada. ora, como lutamos!

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