terça-feira, 25 de outubro de 2011

cortiço de argila



cortiço de argila




[ o polvo recolhe seus tentáculos ]

resta o olhar citrino
sobre as espáduas
carnívoras dos cortiços

estranho como ejaculo
no abismo istmo - de mim mesmo -
o que me devora
pelos ouvidos

a tarde se orla
na olaria de outubro
rumo ao crepúsculo bruto
onde oferendas em ânforas
são entregues às têmporas
da noite-pantera

[ o polvo recolhe seus tentáculos ]

absurdo o abismo
ignoto intenso
( dentro de mim )
à espreita de lêmures
noturnos

entre a urina e safira
entre a ferina pupila
desse sertão-paraíso:

- prefiro a argila –

encimando-me as pálpebras pétreas

[ o polvo recolhe seus tentáculos ]

o mar agora
náufrago ouro puro
desemboca nas furnas
das virilhas férteis
onde se fragmenta
o horizonte

5 comentários:

  1. Gostei muito dos teus poemas. Belo jogo de palavras.

    Tô seguindo.

    Bjo!

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  2. o horizonte fragmenta-se
    sempre em vermelhos e azuis
    e amarelos de luz
    passeiam pela tua poesia! beijos

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  3. ejacula-me abismo revolvido
    o cortiço do barro úmido
    vai sumindo pela mão
    do poeta...desbasta vasta palavra
    e a carne da palavra
    o corpo a textura do texto
    profuso de tentáculos
    a estátua da mulher de pedra
    se forma na olaria de um rio
    a palavra em têmpo_ras
    atravessando a penumbra
    rubra-densa do cortiço
    com aromas de temperos de oxalás
    benzo-te eu poeta!

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  4. das palavras do cortiço e do silêncio da argila:

    meus tentáculos são feitos de braços cabelos ao vento ou entre os dedos do poeta
    meus dedos unhas cravando danças de fomes e o corpo encarnado na terra desfazendo-se no areal da praia a onda não cessa o arpão varando a água
    a mente flutua a palavra não me sai da idéia da cabeça-mente e o corpo se abrindo em carne cor cheiro tremências... a cabeça se desvirando vergando e a boca ri alto e chora pendendo a lágrima num canto da boca e do vértice do chão xadrez.
    no fundo nada me é miragem eu sou um fundo e o raso do fato cru a realidade me passa na cara o tempo me passa na cara.
    eu juro que queria fazer poesia com os lábios e ouvir a música de tua voz com todas minhas ventanas e tocar violino com todos os tentáculos de meu corpo, de teu corpo eu preciso modelar (o silêncio) o barro. será um bom jeito de fazer poesia. na forma da argila e da palavra todas minhas contrações.

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