segunda-feira, 19 de setembro de 2011

outubro : os corvos do meu céu



outubro : os corvos do meu céu



luminárias devem cintilar
a solidão da noite
de luz insólita

antes de cair dos céus
olharia as sombras
das tormentas

- transformadas em sonhos -

mas deixo
que o falso dia
penetre pelas fenestras
volitando pigmentos
pelos lábios petrificados

exponho
um seio da face ao sol
elevo-me à razão do pulso
que acelera (a)o ritmo dos passos
até o último instante

tão tênue
que eu passo
a desafiar o tempo
do vento mais antigo
e intrigante

ouço dizer que os anos
podem alterar rumos
e muitos anos - o horizonte -

o olhar que arremessei
aos céus nesta noite
não (a)tingiu o coração

4 comentários:

  1. setembro já não é mais o mesmo de tempos atrás
    na parede o silêncio de lesma e dentro das chuvas um rio de seda
    peixes saltitam debaixo do tapete de águas incansáveis e mordiscam teu pedaço de ilha,
    mergulham no meu silêncio subterrâneo e recomeço a metamorfose híbrida
    o tempo que corre, corre solto nas águas peregrinas, virão flores fulvas
    de espumas na tua franja íntima, e dançarinas estrelas dentro da palavra que arde na e suga a língua
    o crepúsculo é nascedouro de cristalinas muralhas transitórias que descem como cortina
    no palco dos olhos só para sonhar de novo - aí nasce a noite lúbrica, lúcida cheia de fábula sem moral só com memória invenção e histórias...
    setembro se permeia de outubro (amando teu vento brando na minha feição de brasa, leque e flor) setembro se permite e vai se outubrando se abrindo como que inquietas borboletas pousando sensível na p_aragem do teu outro-brando abraço!
    (vem crescendo outubro desde as águas de março? Em setembro me culmino no teu a_braço como queda d'água que deságua e percorre tua verde via-láctea)

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  2. " ...o vento mais antigo e intrigante..." setembro já não pode com o gigante que o sucede! Ô poesia tremenda! abraços meus...

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  3. acetinado vem o véu
    o céu
    o noturno lunar enevoado
    suspiroso alado
    meu pensar galgado
    aos pés de poesia tua
    beijando leviana Lua
    que deixa-se nesse teu olhar jorrado
    à todo verso por ti versado


    Beijos carinhosos
    menino...

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  4. Luiz Gustavo,
    que lindo blog vc tem, poesia de altíssima qualidade.

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