sábado, 18 de junho de 2011

poça d'água

poça d’água


sob meus pés as nuvens
e as estrelas abaixo delas

além muito além
da teoria de toda matéria

- há matéria -

no infinito meus pés
estão encharcados

não de chuva nem de orvalho
não de suor ou urina do caralho

nem das lágrimas do corpo
nem da brisa em sopro

mas de água da poça
que ainda há no gramado

ali onde meus pés
sobre a grama entre os talos

se refletem na lâmina fria
que se converte em poema

nada se ouve senão os sentidos
dos sonhos que redivivo

agora as estrelas
em estridentes alaridos

entre tristes dentes me enxaguam
de lágrima suor e urina que vazam

- sobre meus pés -

ali onde o silêncio habita o cosmos
que neste convés se revela fósforo

14 comentários:

  1. ali onde o sonho e a palavra se encontram eu li lágrima, eu li água, eu li encanto!

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  2. adorei.

    ali onde o silêncio habita o cosmos
    que neste convés se revela fósforo

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  3. sobre a grama entre os talos
    entre os pelos dos falos
    rabisco com meus dedos um carinho
    leve como brisa e intenso como redemoinho

    entre tristes dentes me enxaguam
    com tridente e tripálium eu aro as frutas:
    as maçãs ocas e os pêssegos viscosos
    mas depois eu descanso com seus gozos
    de palavras abundantes e de bundas beijadas

    ali onde o silêncio habita o cosmos
    que neste convés se revela fósforo
    e a faísca que risca a noite
    projeta na mente meus sonhos
    o inconsciente é engenho que moe cana
    e do bagaço sai um petróleo negro que dói
    e vaza enxofres agudos e óbvios como novelas globais

    meus sais! mensalmente nos despejam aquelas baboseiras televisivas
    que deveriam ser proibidas, por serem tão radioativas
    mais perigosas que bombas atômicas
    e que bueiros plutônicos e pneumáticos

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  4. Olá Luiz, eu vim agradecer o poema que deixaste no meu blog. Já estou aqui fazendo parte do seu espaço. Aliás, espaços (seus dois blog) Te desejo sucesso com seus versos. Admiro muito quem tem o dom de escrever assim. Abração, ótima semana pra você.

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  5. Gostei muito do seu poema.Ritmado e gostoso de se ler.Voltarei outras vezes.

    Beijo.

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  6. Olá!
    Obrigada por seguir meu blog. eu tô tentando seguir o seu tbm, mas não está aparecendo a caixinha de seguir - o problema ñ sei se é com o blog ou com a minha internet, que está deixando q aparecer alguns linkins...

    Mas quando eu vier aqui novamente talvez o problema já tenha saído e eu seguirei.
    Obrigada pelos comentários, entendi que nossas poesias parecem se converterem no mesmo sentido às vezes.

    Bom, como Parole disse, vc tem muito ritmo!

    Abraços
    e Bom domingo
    ^^

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Olá! Um prazer conhecer esse espaço. Nos leremos mais por esse meio. Obrigada pela poesia postada no meu blog. Até logo.

    Beijos

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  9. A vastidão do cosmos pode ser a mais incrível e singela inspirarão, não é poeta?!

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  10. Olá Luiz querido... passei para agradecer a visita e os lindos comentários... acabanei me apaixonando pelo teu lindo ESPAÇO... sou tua peregrina.

    Bjinho no coração!

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  11. o silêncio
    me habita
    matéria

    ***

    cor orvalho
    chuva caralho
    me habitam poema

    ***

    e todo essescarceunário
    me habita
    além da matéria

    ***
    Beijo:
    Agosto silenciosamente se foi.
    E setembro é uma criança.

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  12. Olá, Luiz, já estou seguindo seu blog. E olha só a coincidência: hoje à tarde estava tentando fazer um poema que rimasse orvalho com caralho, não consegui nada que prestasse...Mas você o fez, aqui, e muito bem!:)

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  13. Ah, grata pelos comentários em meu blog!

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  14. meus pés entre lama: estava eu indo pro trabalho toda linda... fresquinha de banho tomado tinha... uma obra na rua e muita merda pelo caminho, não havia como saber por onde passar por mais que eu olhasse e procurasse, estava de sandália e calça olhando onde ia pisar e analisando cada pedaço de chão à frente, vi uma área que aparentava estar firme e arrisquei, pois foi um mergulho na lama até atolar os joelhos sem que eu pudesse mais dar um passo, foi em frente a uma quitanda... tudo parou, quem passava ficou me olhando, os homens da obra arregalaram os olhos, as crianças punham a mão na boca, a senhora na porta balançava a cabeça, a vendedora parou com objetos na mão, eu olhei em torno, me olhei e quase me joguei toda na lama de tanto rir!!! A mocinha da quitanda me ofereceu o tanque para eu poder seguir pro trabalho, não dava pra voltar pra casa. Era dia de calor tinindo, quase mergulhei toda no tanque, mas eu não cabia também...cheguei no trabalho molhada, nas unhas do pé ainda ficaram um pouco de lama...eu fiquei rindo horrores, e afundando cada vez mais...(rs) o que nos parece firme é sem fundo e é inútil tentar entender, compreender é ilusão. Não adianta olhar por onde anda... eu lembrei dessa história só por causa disso:
    "ali onde meus pés
    sobre a grama entre os talos

    se refletem na lâmina fria
    que se converte em poema"

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