sábado, 18 de junho de 2011

inútil

inútil


inútil
dormir nesta tarde
o alvoroço da brisa
não permite

e a tudo que se assiste
da lua do sol
das nuvens do vento

através das esquinas
 das ruas até que as pernas
na varanda ou dentro
da casa vazia onde silêncio havia

o sonolento sono
o sonoro vento
o invento sonho
o sopro em fragmento

o lampejo
 o raio que o parta ao meio
através do relâmpago

a lufada da brisa que beija
esta semente que queima
o poema que semeio

 a cevada a aveia o centeio  
o percevejo que percebo na cerveja
a ave alba atroz em passeio

a palavra esfarrapada tecendo
o tempo entre um gole e outro gol
que o olhar apanhou

é inútil
é perda de tempo -
tentar dormir nesta tarde

- o sono não vem nem virá !?

4 comentários:

  1. andorinhas tecem manhãs
    sabem que tardes são vãs!

    ResponderExcluir
  2. vc é ótimo pra criar nomes de blogues! beijos

    ResponderExcluir
  3. a palavra vai dando uma coisa como que dentro dum barco em alto mar, tudo embrulhado, dentro de mim o mar inteiro marolando, ô deus. tudo girando, juro! Aqui dentro um jiral no vento e todas as roupas-palavras se embolando, o mar no vento, a onda que não cessa, onda que nem deságua na praia e nem seca... as palavras em vários jatos vem à superfície e vão no vento ou no tempo ficam?. As manhãs são acordadas de silêncio e um corpo de música que arde nos penetrantes raios de sol da alvorada em revoada que logo, logo se agita... chega a tarde e o corpo de música se perde no corpo da dança do tempo, nesta tarde vou me embalar nos sonhos do que tudo alvorece com ares de ocaso. Espero sempre o sono, o sonho de outro alvorecer, a música ainda toca no silêncio e a dança continua me ninando acordada. O tempo vai se esfarrapando e a gente se tece e destece no desfiar das tardes, na brisa fiandeira do ocaso.

    ResponderExcluir
  4. sueño soñado por otros...

    bello, bellísimo.
    beso*

    ResponderExcluir