sábado, 18 de junho de 2011

poça d'água

poça d’água


sob meus pés as nuvens
e as estrelas abaixo delas

além muito além
da teoria de toda matéria

- há matéria -

no infinito meus pés
estão encharcados

não de chuva nem de orvalho
não de suor ou urina do caralho

nem das lágrimas do corpo
nem da brisa em sopro

mas de água da poça
que ainda há no gramado

ali onde meus pés
sobre a grama entre os talos

se refletem na lâmina fria
que se converte em poema

nada se ouve senão os sentidos
dos sonhos que redivivo

agora as estrelas
em estridentes alaridos

entre tristes dentes me enxaguam
de lágrima suor e urina que vazam

- sobre meus pés -

ali onde o silêncio habita o cosmos
que neste convés se revela fósforo

inútil

inútil


inútil
dormir nesta tarde
o alvoroço da brisa
não permite

e a tudo que se assiste
da lua do sol
das nuvens do vento

através das esquinas
 das ruas até que as pernas
na varanda ou dentro
da casa vazia onde silêncio havia

o sonolento sono
o sonoro vento
o invento sonho
o sopro em fragmento

o lampejo
 o raio que o parta ao meio
através do relâmpago

a lufada da brisa que beija
esta semente que queima
o poema que semeio

 a cevada a aveia o centeio  
o percevejo que percebo na cerveja
a ave alba atroz em passeio

a palavra esfarrapada tecendo
o tempo entre um gole e outro gol
que o olhar apanhou

é inútil
é perda de tempo -
tentar dormir nesta tarde

- o sono não vem nem virá !?