sexta-feira, 15 de abril de 2011

realengo - a vida real ( a pátria a(r)mada até os dentes )

realengo - a vida real - ( a pátria a(r)mada até os dentes )


a desmesura da pátria
é o pranto desvairado
do seu povo

sem prato nem comida
interpreta a própria
diáspora

o protesto plangente
estampa e referenda
os imprudentes - peregrinos -

não para o esplendor
dos abantesmas já transcritos
em reticulados relâmpagos

nem um po(l)vo retorcido
entre névoas de incêndios

mas o cenário mais profundo
desta perversa
vida

contra a bruteza
entre purpurinas senescentes
esplêndidas violetas plásticas

e agora sob um templo
entre os muros de lástimas
- cadáveres mínimos

recordo tantos outros
samurais carcomidos
de outrora

por um olhar insinuante
que desvela outra glória
atiça sua fúria espessa
sobre as cabeças - puríssimas -

enquanto lá fora a vida
desta pátria irreal chora
por todos os poros

no recinto que era branco
agora escarlate líquido
estão em silêncio os últimos
- infantes urbanos

somos todos
porcos-espinhos devorando
a vida por entre os dentes

eu vi o mármore cinza
enegrecer de dor
(n)estes versos vivos

em que semeio estrelas
para que o horizonte
não seja causa perdida

3 comentários:

  1. é preciso, ainda que a dor dilacere, semear mesmo estrelas...

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  2. Luiz: Un placer leerte. Bello poema. Te dejo un beso, cuidate.

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