sexta-feira, 8 de abril de 2011

à luz de uma estrela

à luz de uma estrela


um corvo
a cor do céu turvo
um corpo
tão arco-íris

de ostras ao vento
em flor alçando vôo
entre esferas
olhos de ira

dentro do céu
em cacos coisas soltas
- a lua o sol a terra -

quem dera
o corvo solitário
assombraria todo o chão
entre nuvens - ria -
do coração
já escurecido

onde piso
pé a pé o corpo tísico
que é meu num dilúvio
de estrelas em arrepios

depois rimos
- eu e o corvo - do que brilha

seja lua sol fogo
o branco o negro
o vento trêfego
pois ferrugem
no céu soçobra
mínima

de um véu
descarnando a língua
quase fóssil

suspenso
o corvo viola sentidos
devorando branco
geômetro do olho
tênsil

e eu  -  revirando-me  -
em miúdos silêncios
vendo navios em fragmentos
à luz de uma estrela

2 comentários:

  1. aqui o silêncio me visita que é porque o som das palavras caem como chuva fresca no meu telhado...

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  2. lindo! bravo!!!

    parece uma canção de ninar os fantasmas que nos assombram...

    beijos!

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