terça-feira, 5 de abril de 2011

ciranda

ciranda

o vôo plumário
da ave-paraíso
sob um céu índigo glabro
onde espumas na neblina
rosáceas luas de cálcio

ver a
lamparina de alumínio
entre irisantes libélulas
ao limiar da primavera
num silêncio de garça

as nuvens
entre nuvens
plúvias de grafite
cobrem a varanda
de papoulas

ah ! ciranda de libélulas !
noutros ventos alísios
flutua a auriflama
à deriva

entre estrelas de nácar
turvas asas de seda
de um (a)mor cego
nas órbitas fímbrias
do arco-íris
iluminaria
a minha língua

como um colibri
em equilíbrio oscila
no labirinto de lírios
e brincos de princesa

- um cenário à beira-céu -

risos em multilabros
num fragmento de sopro
soçobrando no vício
em sigilo

nossos dias rudes
sobre a têmpora da tarde
deslizam como um cisne negro 
no lago vítreo

a trégua do escar-
céu cristalino de
liras em tramas
sobre um mar de náuseas
neste espelho d’água
que se move
em (re)colhidas
pálpebras

donzelas em flores
como pássaros que se vão
às copas das grandes árvores 
em declínio

este sol em brisa
nu sobre as vértebras
ventre trêmulo
em silêncio
do orvalho em meus ossos
de argila

entre lábios
sílabas falésias
se estendem
sobre o mármore
do mar
este mar
nu sobre as vértebras
onde a ave-paraíso (re)
pousa na paisagem
e intriga

4 comentários:

  1. ah, ciranda de memórias que brincam no palco da casinfância as mãos entrelaçadas giram e à luz de quê? em torno de quê? a lira que delira e intriga: ciranda de palavras corpo que amalgama e inter_rompe. Essa ciranda nos coloca de algum modo em alguma órbita específica - a sua talvez, é claro! Olha só quando chega o ponto culminante da sua ciranda, no final tem abraço e todo mundo se lança no chão com risos e cansaços de nos girar...girar...e continuar girando.

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  2. descortina os céus da boca, continuando no palco da memória e todos os personagens ali te puxando pela mão do tempo, a mão de um anzol descortinando nossos lábios que mordemos isca... língua cirandeira...

    ...ciranda cirandinha vamos todos cirandar vamos dar a meia volta volta e meia só eu dei e dei um puxo no menino e ele me puxou de volta, ainda não dei a volta inteira, que eu fiquei pensando naquele menino de mão dada comigo na roda a gente se puxando mãos e vinha tudo de uma vez, era uma vez uma mão que segurava forte com um macio de algodoarse e eu me rodava como amêndoas doces na sua língua de lagarto... “volta e meia vamos dar”, dar-se em rodopios e cios de girar as palavras no corpo em outra forma. Volta e meia vamos dar, não era dar só meia volta e parar a roda, mas o menino teimava que era só de ir até a metade da meia volta, eu puxava ele com puxa-puxa de chupe-chupe pra ele deslizar na roda de dar as mãos e cirandar as línguas fiandeiras e continuar a volta de dar inteira ôxe menino! A volta é inteira só que a roda volta e faz meada puxando o fio das mãos, não solta, não solta a mão na roda senão fica feito fio solto chicoteando os ares, feito fio elétrico na escuridão xispando xispas e quem passa leva choque. Xispa pra cá na roda e quem não roda entra dentro da roda e fica zonzo só de olhar. Você ta zonzo menino de dar as mãos? Eu to uma tontinha de rodar feito biruta na tua mão que me roda... o anel que tu me deste era de vidro e se quebrou ... quem quebrou o anel? Foi a mão do tempo? Foi? O amor que tu me tinhas era pouco e se acabou... o amor que tu me tinhas era tudo e se acabou foi porque alguém saiu da roda, eu hen! Não quis mais brincar porque deu tontura na roda foi crescendo e girando de dar muitas voltar inteiras e volta e meias, e roda girando a meia volta inteira feito estrela-do-mar que alcança o céu e dança até quando tudo não se acabou pim-pum no meu chão de dengos! E nos damos em risadas... até quando a cortina de novo for fechada.

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