domingo, 13 de março de 2011

na folhagem do céu


na folhagem do céu



“ un lenguaje que corte el resuello “ –

octavi(d)o paz em seu  “ blanco “

- transblanco de haroldo - conduz à meditação:

uma lâmina desventra
- úmida de aço -
a crença de que relâmpagos

d
e
s
c
e
m

seguidos de tambores -

o trovão
murmúrio de fonte
desarranja os céus ?

por ali um odisseu
suscitaria o silêncio:

“ a invenção do corpo “

o invertebrado olhar
sob um céu
cercado de arcanos

uma chuva de crisântemos
por todos os lados
reticulam a pálpebra
de um fundo amarelo
de topázio pálido

a vida é perversa !

indecifrável
a vida
in(di)visível

uma linguagem
que corte o fôlego

- o orvalho do desfolhado olho -

secá-las - as folhas -
e pisá-las sob os pés
e ouvir o ruído
de uma fogueira
( arder as palavras solitárias )

" la hora es transparente " :

a vida é invisível
desnuda constelação
de temporais de vidro...

2 comentários:

  1. ecoam os trovões
    não há céu seco
    a chuva molha
    o céu
    a vida
    o beco
    as rosas
    [nem as rosas escapam
    e elas morrem de medo
    do vácuo de céu nas
    pétalas partidas!]

    a chuva molha...

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  2. pisar as folhas e ouvir dentro de si mesmo eu mesminha fogueira que queima arde no centro da casa... em noites frias molhadas de distância ausências e solitário corpo de palavras inventado... aqui onde ora a vida é chuva de fragmentos de vidro e ora "chuva de crisântemos" eu te beijo!

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