segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

filigranas

filigranas



sugar o céu
pelos poros das estrelas
em filigranas
onde as dobras das rugas
são labirintos

os olhos de veludo
sobre esta pele açulada
como urdidura
penetro-a
 [ não como pássaro de seda ]
tuas entranhas - mas vampiro -

e aqui o poema espuma
toda volúpia da palavra núpcia
sereno céu silêncio de plumas

ouve o rumor da garoa
agora sobre a grama
derramando-se em ranhuras
no âmbito da crisálida

esta página
de verbos sonhos signos
entre pedras desliza
sobre pedras
e o poema se faz nada
e cicia:

à deriva o ventre se modula
e a vida: se fragmenta -
esta que se descobre
outra em torpor de nácar
entre crepúsculo de tulipas
e néctar

quem deslinda o que escrevo
acena com a língua
à fímbria do teu segredo
sobretudo o fôlego
do poema que finda
em decrescente relevo