quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

arquiteto


arquiteto

(ag)ora
o cenário do céu
sem céu e que – as estrelas sabem –
o crepúsculo urra no tédio

eu – arquiteto de cárceres
da memória do cinzazul
desnudo
do que fui
além distante

uma e outra
palavra se esvazia

no grito dos olhos
já fúnebres
urdindo a poesia

minha voz
já amarga (n)os tentáculos
do tempo e as pedras
que me consomem

este poeta
de ecos desva
irados
(ex)pira e (ex)trai
(d)as rochas duras
(d)o seu caminho
polindo as unhas

há rugas no papel
entretecido onde a poesia

sorvendo labirintos de granito
explora todo sibilar
do seu enigma

a pedra se faz poema

e verte poesia
do próprio ventre
bruta não - quase-paraíso -

mas fragmentos
sobre a língua
vestida de fantasmas
e viagens num gueto âmbar
sem saída

eu – arquiteto de cárceres
da memória do cinzazul
desnudo do que fui

além distante

2 comentários:

  1. fico mexida... na tua nudez eu te ternuro.

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  2. ...inescrupulosa a céu aberto desarranjo palavras como nuvens se enfiando por túneis como línguas elétricas que distante vem desembocar em um não espaço em um não tempo em lugar nem um... em um não ser...como línguas sorvendo sentidos num papel. aqui tento palavras - vida!

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