terça-feira, 16 de novembro de 2010

onde queres


onde queres


onde queres
dormir devorando
sonhos de vidro quando
deixo-vos um não de treva
acorda em náuseas escamas
entre corredores de poeira

ao vê-la - a treva -
penetras na pleura da alma
esta armadura amarga
flutuando escuras águas
que não se dissolvem

aqui desenterras dádivas
e vomita o derradeiro ópio
num cálice de argila

surge volátil pelas margens
num gesto brônzeo espesso
o rumor cerrado dos teus pulsos

- lírio vítreo de pálpebra póstuma de ternura -

converto-te em névoa
teu vôo perolado
neste mar de trevas
onde meditas
um céu umbráculo
áureo soturno santuário
circulado de amarelo

lustro fausto de flauta
entre o belo e tua estátua

- soçobram tuas melenas no papel

tua imagem


tua imagem


o olhar promissor
transcendeu o verso mudo
a imagem saindo da fotografia
em preto e branco assim como a vida
virou olhos de jade duas pérolas preciosas
querendo partir-me para sempre de si mesma
ao meio o ventre este que te carrega a(té) o fim

tremo : trema não temas ferrugens entre os olhos fios fendas

são espelhos abrindo os gestos em ti tão
reveladores ancorada sobre o pulso
escorrendo entre os dedos e ardem
numa diáspora de dor onde ao avesso
sem medo beijavas o vento teus cabelos
pulsando suspiros a boca pulsando
sem trégua do olhar pulsando
cuja imagem preciso pulsar
o corpo o olhar a boca

poema para malu


poema para malu

eu não te (re)defino
a poesia - eu sinto -

e não sinto azia
nem má digestão
quando absorvo
um poema

já o signo das palavras
me interessa
não me interessa
é o curso delas

sonhar a imaginação
imaginar os sonhos
sorrisos tristonhos !?

saiba: sonhamos o que somos
e somos nossos sonhos

ser tão triste ou não ser - eis a questão :

(d)esc
re
ver à alma

este é o curso
e o signo que te acalma ?

siga o coração nem tanto a razão
muito menos a ins-
piração

( so
mente (e) sonhos )

lembra:

o olho descortina
a retina

a boca destina
à cortina

sua cor

sei de cor teu nome
malu

- e te(me)mos “ algos “ em comum:

teu signo é meu signo
teu curso é meu curso
teu nome é meu nome

teu nome do meio
é o feminino do meu

tu és do norte
eu sou do sul

- tu me norteia eu te dou luz -

" qual tez de eros
imantada de desejos
são teus versos a me envolver ? "

teu nome
tem mar tem lua
tem arco-íris que insinua

(re)corte este poema
e me (a)guarde

( mesmo que não te agrade )

teu perfil não mente:

- teu coração sente -

método da alma


método da alma   *** (1)



a alma
esta que eleva
a poesia da queda

a alma de layara
é assim
não exaura

- é lázara -

uma promessa
que num piscar
de olhos e (sor)risos
exala

seu nome
tem número e som

- é vítreo -

explico: um olhar de diamante -

( uma estrela de vidro um brilho no semblante )

e diamante
vem das gerais
das minas dos vitrais

um verso diamantino
perfeito mira o espelho
esta mineira
e se vê guerreira

- ela de pouso alegre eu de porto alegre -

nossos portos bem sabemos
de nossas aldeias
toda esta alegria

- lázara “ layara “ papandrea -

da alma lavada na lama na poeira
desta pangea

que escreve a palavra
e faz dela sua escrava
na bateia

e se eleva:

“ elevar-se dentro de si para ser “

- promessa -



*** (1)  poema para Layara. Lázara Papandrea. de perturbadora poesia. 

qualquer cor


qualquer cor



um colar
cuja cor não percebo
mas pode ser
pelo brilho
bem cedo:

- qualquer cor -

o rosto

viva
(se) esconde
como deuses

de demônios

- uma diva -

se meu divã falasse

diria:

- nua fotografia -

o queixo
sobre o ombro
em silêncio desnudo

um sorriso um sonho
profundo

um belo sibilo
na amplidão
diária

- sorria -

cheiro de uvaia

na solidão
e tudo se amplia

devaneios

barreiras vícios
um grito só no coração

- são ossos do ofício -

diria em meu divã -
por tudo isso
sou fã