sexta-feira, 1 de outubro de 2010

reflexões


reflexões






1.

há minas
em mim em explosões
desventrando-me e cem
ou mais reflexões

2.

fizeram-me
pensar nas horas
e tantas do pulsar
de meu corpo de forma inédita
neste céu vítreo onde desen-
cavo espessos fantasmas espessos

3.

agora
mesmo agora
estou aqui sem padre
nem madre numa fria
nesta manhã em que me meti

4.

um cancro
me revolve

há tempos tenho pó dentro
de mim não tenho dó e não sei

onde isso tudo vai parar
como se parar fosse o caminho
e morrer fosse outro caminho

5.

entre
o paraíso e o inferno
não consigo sair dessa
nem com reza nem com ajuda
de judas deuses demônios
e do gato de botas

6.

estou aqui
ancorado lado a lado
num relance de dados
estalando dedos iodados
onde ando sorvendo tua ira
contra tudo e contra mim
e contra todos que te arremessam
pedras nesse lixo cru abismo

7.

assim
como eu acenava
com a vida por um fio
ouvias os surdos nadas
ardendo pelas bordas inteiras
as texturas das armadilhas

8.

à procura
da véspera
lascas de carnes
expuseram-me teus ossos
em trapos e tudo que posso
no fosso (a)fundo traço
planos vários em retr
atos

9.

estou farto
desta línguaviva
solta e distante
que nos envolve
de saliva a vulva
que me mastiga
que te castiga
as fendas tecidas

10.

estou farto
desta poesia sem azia
sem língua e má digestão
que se perde anárquica
abortiva sem combustão
mas viva a(l)tiva incerta
(am)arrotada

11.

não quero
o poema áspero e frio
sem riso rangendo
dentes conciso ao avesso
quero o poema esvaindo-se
(s)em demônios em silêncios
soltos e suicidas

12.

- quero o poema mudo -

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