sexta-feira, 1 de outubro de 2010

lâmina de vidro


lâmina de vidro



nós
que vivemos solitários
em gravuras indigestas

tudo o que fazemos
não é findo nem começo
somos parte desta f(r)esta

não há tempo para temer
para caber em tanta dor
tudo é tanto é ter ou não ter !

ah ! (ar)dor !
por que me nutres
a carne deste corpo
- um não de porcelana -
no alforge deste couro ?

um sonho
em vão se esvai
do que jamais se (ob)teve

entre o pudor e o fardo
o sentido rumor do brado
o medo que temos da dor
nos rasga em cicatrizes

em dobro cavemos 
para escrevermos com falanges
o que não existe e inflama
lâmina que (des)cortina como alfange
(a)o fundo da vasilha que se derrama

somos rapinas de nós mesmos
neste silêncio extremo e imenso
nós que vivemos covardes
nas ranhuras de todas as tardes

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