sexta-feira, 15 de outubro de 2010

escarcéunário - o último sonho

escarcéunário - o último sonho

1.


ando sobre meus ombros meus assombros
meus escombros
meus sonhos meus risonhos 
medito dissolvidos sóis e sou o que não sou

o que sou e não sou o que sou e o que sou
querem e não quero o que são quero-quero

2.


só eu sei os medos os desejos os latejos
os segredos dos meus segredos dos teus
dos (n)ossos segredos todos que nunca ob-
tivemos todos os nós que ataram-me
nesse frágil cenário de um céu sem céu algum
nenhum escarcéu nem unzinho só céuzinho

3.


quisera o tempo des(a)fiar esta dor indolor
sem cor sem sangre e ainda resta a dor
diária da fratura (ex)posta um rumor
do que somos e somos os nossos sonhos
somos os medos os medossonhos os insossos sonos
insones o que somos o que sonhamos somos
- somos o que somos o que somos -

o quê ? o quê ? o quê ? o quê ? o quê ?

4.

eis-me confessor
de mim mesmo das vértebras
que bradam às pressas escrevendo teu nome
no silêncio do cio do céu do escarcéu onde tudo é
raso e se derr(ama) em salivas nas unhas nas garras
nos olhos salferidos de sorrisos da medusa
não sei por qual momento me calo se meu calo
dói ou se doeu ou se me dôo todo por inteiro
sobretudo sobre a poesia sobre a teoria sobre
a alegria sobre a sangria sobre a alergia sobre
a letargia que sinto sobre tudo e sobre todos
sobre nós

5.

das palavras que (es)cravo que me atrevo
a te dizer o que
traço o que trago dentro
de mim que me afogo em planos sem fundo
e forma tremeluzindo nesta noite como vaga-
lume eu te daria uma luz um sorriso mas nem tudo
que quero será devorado o que sou pelas minhas
veias pelas minhas teias e por todos e por tudo
(m)ais que posso dar eu não sei se posso dar

6.

pelas alegorias da palma da minha mão
onde caminhos suspensos me levam a nada
quem em sonhos ou desejos me levam
a algum lugar que não absurdo ?
- hay sangre em mi palabras -
fiz brotar rotas em mares que me encantam
em sonhos que minha ira descansa agreste
estou deixando rastros em pensamentos
me vou

7.

agora me atrevo com esta línguagridoce
com vontade contínua tecendo versos de vidro
insinuo o passo a passo a passo e passo a língua
em teu rosto áspero encardido de sol de vento
de frio uma lâmina lisa e fina o fio que pressinto
envolvendo-me em sonhos e nuevos sueños
que restam e só o que me resta neste

a
b
i
s
m
o

neste istmo
é este poema
este pó
este
est
es
e
em cada lacuna que me fere em cada boca
que me insere de veneno de beijos de dentes
de degredos me visto de espantalho espanto-as
rugas do meu corpo e toda a emoção que sinto
que sonho que sou que soubera ser sonhando

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