sexta-feira, 15 de outubro de 2010

céu de bétulas


céu de bétulas



basta ! o castigo de todas as trevas !
os (im)pulsos do tic-tac em doses certas
ouvindo ruídos por entre as vértebras

tardo e tudo já é passado a limpo
entre temporais salpicados de bétulas
um acorde de soluços de nervos eu sinto

despertar a ampulheta do silêncio
entre os dias de vestígios dentro
ávido do avesso onde persiste o incenso

atravessando-me poros em nódulos
finda a noite sem saber-te se engendro
o vidro ósseo dos olhos póstumos

dilacerando denso o dorso do tronco
este sopro tombado de rubra seiva
de veios em veias nas vasilhas do corpo

são rasas as palavras dentro em mim
invadindo-me dementes pelas ventas
de meus escombros ditando sem fim

o ritmo constelado do eterno descanso
que escasso aspiro o ar frio e estremeço
devorados suspiros severos e insanos
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário