sábado, 18 de setembro de 2010

pálpebras em teia


pálpebras em teia 



vou escrever um poema
sobre qualquer coisa: inédito

o poeta
jamais carrega a palavra
ao ritmo das coisas insanas

é o poeta insano
aqui e agora que converge
tudo e a todos aos instantes
e verga a alma que o aflige

de pulsos sulcos saltos
que busca em pulos distantes

- insólito

tão somente
onde o poema se faz memória
embriagado tece o veludo da palavra
como se lavra a trêfega terra

ausente de si mesmo e de tudo
e de todos que o cercam
que o amam em segredo

o poeta assim como o homem
cavalga imutável o tempo
e não sabe o medo

vou examinar o poema:

sair dele como se sai
pela porta após fechá-la

- devorado e inevitável -

esta palavra que me é tardia
como a febre prévia anoitece
em queda a alma vadia

há a nostalgia do possível
esse (des)caminho desesperado
mas também há a perda
do que jamais existiu

o poeta e o homem
no desenlace da palavra
e do poema solo

só e em silêncio se retira
sem o inédito e o insólito
muito menos o poema logo

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