sábado, 18 de setembro de 2010

despedida


despedida 



este é o poeta tramando seu poema
aqui e agora ao vivo à todos escreve
iniciando pelo que ainda vale a pena
o humor negro do dia que se atreve

uma fresta entre a porta e a parede
uma fenestra entre a faca e a sede

é o poeta indo para sempre embora
fechando para sempre a sua porta
mesmo que lhe peçam até a aurora
sua poesia fluiria completamente torta

para ficar neste recinto
vai dizer-lhes:
 oh ! eu sinto !

já se vai o poeta a passos largos
talvez nunca mais volte ou volte !?
sua revolta é a revolta dos fracos
onde (re)vive sua vida de pouca sorte

sonhos sinuosos sem destino
neste incensário de sol a pino

lá se foi o poeta com seus horrores
por aqui deixou - quem sabe - amor(es)
e sobre os espessos ombros da sombra
jamais retornará ao cenário de sua obra

vai o poeta na agonia mais profunda
onde um fio de sol medita em sua urna

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