sexta-feira, 23 de julho de 2010

reflexão


reflexão




o que suporta
este corpo em silêncio
os olhos que o ilumina ?

o sonho
que cessaria esta pausa
é pura reflexão -

e por hora
em tramas secretas
o coração se amplia

(re)volver
a trilha em vígilia
e esquecer a têmpora

- move-se o silêncio -
 

suspenso o coração
dispara

2 comentários:

  1. Tua poesia é visceral!fantástica.....
    Andréa

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  2. intervalos
    no meio da balbúrdia
    silêncio e solidão
    --

    olho o horizonte
    como alguém que olha e não vê
    não que não veja
    atravessa o que vê
    além da aparente parede
    que parede não é ruim
    é para parar o tempo na frente da gente
    enquanto tudo me atravessa, transpassa...
    o olhar parado
    me mostra coisas:
    duas garças no mangue
    o coqueiro que se espichou no inverno, silenciosamente
    o cio de setembro
    o céu de sargaço na praia
    o vento de areia
    a palavra vadia
    o cochilo no meio da tarde
    o silêncio que tu me escuta
    a bicicleta suja de lama
    hoje que amanheceu com sol e chuva
    ou foi chuva antes de ter sol?
    o gato branco que apareceu ontem à noite
    lá no quartinho
    e ficou me olhando uma eternidade
    com olhos verdes acesos, fixos de me hipnotizar
    eu fiz rir, não podia me aproximar demais, ele arisco quase fugia pra onde sei lá,
    deitou no batente e ficou até que eu adormecesse,
    depois sumiu sem eu nem ver.

    (o relógio do tempo dispara e a vida móvel vai andar pelos incômodos do mundo)

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