segunda-feira, 5 de julho de 2010

os trigênios

os trigênios




o silên-

cio do céu:

esta poesia cardíaca
pintura hidráulica
de borboletras esmeraldas
tal como campos casulos

seus sentidos selvagens
de anéis de puro ouro
em dedos diamantizados
e carcomilantes brincos

imantados de hímen-
sidão que um dia
ronaldo " o azeredo "
e oswaldo " o cícero "
reverbeirizaram:

um à paulicéia o outro ao desterro

( letras de fundo e forma )

" de súbito a alma escama
o álamo em desfolho
acalma e ilhama
o olho do gorgulho "

olho que se assombra
de um alumínio irisante
até que a sombra sobre
a terra da lua minguante
eclipse metamormágico
translúcido fásico
de galáxias lácteas
uma palavra alumbra:
esta que se trans (in)
(re)forma
ao ver-se
(des)entrevada
em polidas páginas
pigmentadas de pimenta
cuja boca mal agüenta
o ungüento da palavra malagueta:

- o gueto ?!?

como um sáfari
em " afreecas " selvas
não à procura de marfim
nem de trombantes
elefantoches

mas de safiras pre-
ciosas pedras
feitas de pó e ira
que se faz poeira
e se empedra

essa poesia
que em sua cósmica órbita
a palavra fósforo rara
se a(s)cende e alumia
sobre uma folha solta
onde trigênios mosqueteiros
trituram a palavra jamais morta

( esta escrava que não se exaura )

são triângulos fosforejos
num jogo de (guar)dados
goles d'águas gargarejos
gaita de fole gargalos

com a língua já sem fôlego
(re)tocando os mamilos
e o espesso grelo
entre grilofantes dedos
que estrilam trêmulos

( feito rômulo e remo

filhos de réia
num cesto de vime
à ribeira do tibre
adotados pela loba
com unhas de tigre )

rasgando dissoltos
in(can)descentes galanteios
de vulcões la(r)vas correntes
de sílabas que uma outra
pedramorta sibila

- milgargalhadas florfosfluorescentes -

pois é poesia
inaturada desce do céu
enviada sabe-se lá por quem

divas deuses demônios ???

talvez um outro
traço de centauro à margem
da malandragem dos sentidos

( crepúsculo de ostras )

poesia pássara pêssega
suave cigarra que se assigna
veludolorosa e se fragmonstra:
univértebra univalve unívoca
o equívoco é " el cielo "
no horizonte de " heraldo "

- o enrelvado e belo:

um
de
créscimo
cio
psignatari

onde jaz em sua brilhante
biop(oe)sia ad augustum:

*** " onde estou ? - em alguma parte - (1)
parte entre a fêmea e a arte... "

o uni (co) verso



(1) passagem do poema "ad augusta per angusta " de augusto de campos

Um comentário:

  1. unicórnio que cavalga sob o verso, cascos e crinas que galopam dentro de mim, poesia vem feito esse corno que busca a todo custo sua natureza outra, sim esse centauro que não sossega, crespúsculos expostosa, dor nos ossos em vertice, o silêncio me rodopia nesse vórtice.
    poesia vem no bicho da goiaba, e nas sementes que viajam no tempo. indócil a poesia é barbatanas n'água palavra pétala avoada na face colada no ventre da noite. os dedos arrodeando o lóbulo da orelha derenraizando palavras como que colhendo arrancando da terra frutos demorados de chuvas. desdizendo dialetos teu falo silencioso crescendo na minha Língua escorregadia e áspera a querer dizer coisas como fragmentos de nós... raspo os cascos no chão abissal como asas rasgando os ares... tudo sibila treme e tritura, me exaura ó centauro na margem do riacho... você vem, não vem? Vem sim. onde estou? em toda parte. (esfinge de malandragem com a morte)

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