segunda-feira, 5 de julho de 2010

o bailarino - tentativa de homenagear paulo leminski


o bailarino ( tentativa de homenagear paulo leminski




santa feliz
cidade
" curitiba "
onde subiu aos céus
ou melhor evap-
orou-se
em uni
versos
trilhos tropi(hai)cais
um bailarino polonês

( ai de mim pobre de carne e osso )

teu verso dançarino
salta o poço
em noite de lua
cheia de lume

som de estrela

( tal como a rã
num salto efêmero
estrias n'água )

rastro flamejante
bola de fogo
silhueta ave rara
a mirar sem (i)limites
a controversa alma
no fundo do espelho

rebela o infinito
o íntimo intui

revela o improviso
o inédito flui

o inferno vermelho
um caos ver(de) amar(o)elo
o azul imóvel do escar-
céu negro

( escaravelho )

não há superfície
nem mar da tranquilidade
que (re)pouse tua (s)o(m)bra

- bem sabemos

esses olhos absolutos
de son(h)o e poesia
aventuras e metáforas
expostas aos cataventos
naus e etecétaras

( uma rede ainda balança sua alma dentro )

o sol
se (im)põe

o céu
te (a)guarda
as flores do mal

" rimbaudelaire "

(en)
ca(n)ta(tau)ram-se
com sua
farf-
al(h)ice

lê-
(em)
mim
sky

pau-brasil:

acabou a farra
já dizia sua poesia
áurea e anil

- até onde irão seus versos ???

" ir não sei
só sei a (l)ira
da tua língua
a mascar uma cigarra nissei "

"mal" armado
letra esguia
transforma-se
em estrela guia

lâmpada geniosa
sua vida lá a vi
em close
nessa estrada graciosa

polêmico paulo poleminski
teu céu acadêmico
é nosso braseiro

teu poema mímico
é mais que brasileiro
tens fôlego de baleia -

quando se lê
sua dor nu(m)a
folha alva mais alma
do que carne calva

sem ba(r)ba e fios de ovos
essas letras " esses "
símbolos de nossa solidão
e bossa nova

" so
li
dão (b)ecos sem (sa)ídas "

só alguém que sabe
sai de seus medos

e cego e surdo e mudo
é aquele que não lhe percebe
mais que do que tudo

pois é paulo poeta
sua poesia de paus
e copas é(s) toda
concreta...

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