segunda-feira, 5 de julho de 2010

noigandre



noigandre

( a haroldo de campos / já nos veremos pela via láctea )




vejo uma negra felina olhos de gude
sobre o colo do poeta - o noigandre -
cujo óculos e sob este duas pérolas
pupilas pretas saltitando diretas
de um dantesco poema alma vólucre
- arco-íris de crisântemos arcanos

vejo a tarde leprosa de abutres
sobre a noite horizonte de tenebras
tecer versos raros de nuvens névoas
e um tremor turvo de álacres estrelas
no labirinto céu cinza árido
- de alabastro escuro e sólido

vejo imerso em palivros diversos
repousado sobre mantos de esplumas
de rosto hirsuto e esfumacentas
pálpebras brotar nas frinchas esculpidas
da súbita e desvairada linguaviagem
- suscitar sua última arvoraZEN

vejo o sol ruivo em fulgor furtivo
acordar salamandras de incêndios
e o barroco odisseu douradornado
flertar com uma líbelula de feltro
de garras felinosas em seu casulo
- onde copas dançarinas oram rumores

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