segunda-feira, 5 de julho de 2010

in morocco



in morocco



tendo
ao fundo
os montes atlas
com seu manto blanco
no horizonte eterno ocre
muito antes das desnudas
dunas de menara e quarzazate
- Marrakech: há pátios de berberes
convivendo áridos nômades de sempre
beduínos malabaristas víboras dançarinas
dromedários elos entre passado e presente

como
aquarelas
delacroix um
oásis de terras
amplas saarianas
africanas no esplendor
cosmopolita áureo de Rabat
a cedro e ferro fundido tangendo
Tânger que seduz postada à porta
do gibraltar al-andalus (ou)vê-se pelos
minaretes (c)orações em medinas palacetes

em
punhando
punhais a céu
azul um xador
(en) cobrindo rostos
oh! quantos mil rostos belos
da cidade vermelha de barro
(re)vivem e morrem em Marrocos
seus corpos sob um céu mediterrâneo
mourisco en dia brado de “al mourrakouch”
dos “ sabaâtou rijal “ poesia arábica ritual

de ruas
e ruelas peri
féricas quadricu
ladas de Fez esta já
virada para meca mel
o dia de dantescos sons
marinados em ácido absorvi
(vi) dos por humanos do inferno
assim se fez um labirinto de hortelã
favos de imensos alvéolos sangrentos oléos
de todas cores e cheiros e pecados terrenos

onde
os sent
idos inebriam
gravadas sombras
na memória de los muertos
- “ pour le plaisir des yeux ” -
in sha’Allah um café em Casablanca
de marrom marroquino que morram os in
fiéis tenham fé que a vontade divina se fará
e a vontade ruiva do sol em Rabat azeite óleo
ambarino de um leão indomado aceite de Ceuta

ou
Sevilha
de águas
do guadalquivir
de cobre eu construo
um claustro de menta
em teu rosto atormentado
de dueña entre tâmaras videiras
infestadas de fiestas de aguardente
poesia amêndoa de oliveiras salivas
de bocaberta a fulva alberca do alcázar

um
café em
Casablanca in
Morocco onde moro
e resíduo estanco o livro
e resido e revivo e redecifro
um vinho petrificado e frívolo
sobre o mármore doceano atlântico
refechando o livro roendo figo-do-diabo
num dromedário de pêlos albinos no deserto
sobre o asfalto de negro intenso perdido sigo

o signo
branco me
empororoco in
Morocco implorando
teus poros estes sopros
de esgotos esfiando-me gotas
de café em Casablanca borra de café
não tenho fé morrerei de ira de pó-de-lira
da poeira da poesia da azia da má digestão
não não morrerei pela boca nem fisgado pelo pé
nem pelo coração só penso morrer no mar de agadir

dá no
mesmo e
me dá arrepio
feito uma lâmina
sem fio sem língua
sem fábula sem nádegas
outra vez minha casa branca
de telhado gris alho lombrigas
consigo mesma lesma sem mandíbula
sem retrato contemplo o tempo contém o pó
do tempo tenho pó nos olhos no soalho do templo

já faz
tempo pintei
com tinta têmpera
tuas têmporas escrevi
um poemeu poe metendo-te
em teus meios sem perder o per
dor de tempo amei teus seios ventre
virilhas nádegas brancas coxas deixei-te
roxa nas ancas tão bela de tranças dormindo
furiosa mente úmida na manhã âmbar de Melilha

num bar
de rua onde
sento e bebo
teus sonhos meus
sonhos nossos sonhos
ardidos na garganta e não
lembromélias nem ofélias do
cheiro de urina vaso de porcelana
só me recordo da cama macia da tua
pele no cio do tempo em que estivemos
em silêncio camaleoa ferrugindo milgemidos

ébrios
entrentáculos
de búzios nossa
línguastuta é canibal
e feroz neste ato contemplo
um complô de algastristes nos olhos
soçobrados pelas frinchas da fenestra
a luz irradia resinas e devasso-te do avesso
som de sossego sou cego e cessa tua voz
de morcego teu chamego chamacesa de deusa
grega sou teu vassalo e rego-te escassa selvagem

que
o denso
orvalho gan
grena teu suss
urro travesso de ursa
o tempo se acaba na porta
que se abracadabra cabra da peste
o tempo investe em teu corpo um tussor
de seda persa e fecha refecha infesta em
suas ancas e suas meias de Casablanca sonhos

medos
solidários
sóis diários
consolidáriosóis
com sorte suas entre
meias não serão rasgadas
com minhas unhas uma a uma
em meio a bronha diária do átrio
solitários sorrisos vertem de tua boca
arcaicabarrouca arcabouça arca de louça
galega ouça tua língua extremadura leiga

ossos
o gongo
primeiro round
era uma vez era
o segundo fluxo refluxo
doloroso gozo zonzo de gás
ozônio e lixo arsênico sabor luxo
da pêra áspera de raia-lixa limando
a língua rija e removida bactriângulosa
de veias onde há poesia extravasa palavras
explodindo como guernica sangrada de mil metais

e bru
mas elev
ando-me sobre
o corpo podre de
caos e delírio a barra
bravia arrebata o vento
vindo do revolto mar de Almeria
onde sereias servem-se de mil redes
vazias de solidão e trago dentro de mim
a dor de não ter sal amargo na boca de lábios
rachados onde a concha bate nos inacabados

molhes
esverdeados
são teus olhos
marinados são meus
olhos avermelhados são
teus seios atormentados são
meus sonhos amarelados são
nossos céus de sonhos onde ventos
há muito assolam a terra ampla dome
o medo diário este dromedário de pedra
que lhe há dentro um café em Alhambra

com
os meus
dedos medo
nhos entre suas
dobras de língua
dura através e salta
sobre a virilha e se abre
e se desdobra e se descobre
faminta de saliva onde penetras
vértebras de seda em fendas de um
odor oloroso de sal o ventre com unhas
de vidro gangrena teus segredos em narinas

suicidas
teus becos
sem saídas o pavor
dos pulsos dos sulcos
dos olhos dos sonhos são
os mesmos passos de simesmo
este demônio sentido insano mais sol
itário que exaustos astros-lábios sobre
insaciáveisseios que se abrem róseos es cor
rendo óleo enquanto dormes a dor me seda a dor
mecem os dedos roçam os seixos roem os dentes

os abutres
comem tecidos
sob um orvalho embru
tecido do silêncio e tudo
não passa de engano de um
engasgo que suporto um amargo
sonho diário onde somos nossossonhos
e somamos os medosonhos e só amamos
somente nós e seremos rasos e parcos nessa
areia vazia de arco-íris de barcos cisnes negros

ossos
flor orgias
ardiam à beira
d’água salgada longes
rios e lagos de saudade de ti
de tua terra de quem era uma
vez era uma vez era uma vez era
uma megera a insônia onde os cílios
não se abrem a concha se fecha em névoa
sopro de prosa uma sopa de rosas uma glosa
de ostras soletrando solemio o sol é meu o sol

é teu
o sol en-
trando pelas
fendas das furnas
e é meu o sol ondeando
em plumas de bruma e acor
damos num sonho de meio-dia
aos trancos solavancos afagos vários
entre tuas ranhuras minhas intrigas seremos
mandíbulas de nós mesmos pálidos dissolvidos
num dilúvio de lama de mar de porcelana de corpos
de salamandra de lã de salamargo de Salamanca de sal

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