quinta-feira, 1 de julho de 2010

escarcéunario


escarcéunario




1.

escravo flamejantes palavras bêbadas
sobre teu esboço reclinado
contorno de rios calabouços
calafrios calaboca ossobuco de gor
dura cavernosa pelos cabelos
de duralegoria suspensa e dispersa
boca babilônica do eu
fraterno tigris
peste bubônica dentro de ti
um alvo suscita uma fábula
como nabucodonosor sonhou-a
um cheiro de dorso
entre ouroperdida sob um céu brumoso
e rajadas de rubis
esferas encarcerando esferas
um sorriso de donzela

de bronze entornando
um rio caudalodoso
de turva tinta turmalina
de algodão âmbar
cor cadáver lapidada
em copas dançarinas
que oram uma vida de rumores
nas últimas lâminas de cálcio
invadindo ingênuas o silêncio d'água
infesta
uma deusa dorme em ti uma medusa
me usa
ruídos noturnos de um rio de risos
um cadáverminoso no âmbito
do cadáverminado
casulo saído do nirvana do ervanário
sob engolfadadas iluminosas

lufadas do girassol embrutecido
girando sol esgarçando-se amarelo
de remela tramando à terra lama
encristado encrispado encravado
pelo anzolazul metálico
metamorfásico metafórico que me treme
te mete medo de hálito apodrecido
de vinagreste ferrugemendo
de hemorragia(s) atormentando
juncos na escuridão mais profunda
(j)untada de escarpas de alcaparras
de escamas alcalinas
de algasozas alfazemas
de algazarras mais garridas
de amargas margaridas

das idas das garras de rapina
agarrando as carnes da véspera
da veludosa nêspera
da pêra irosa vespa da estrela vésper
do alvorvalhado da estrela d'alva
cadáverguido do caixão de carvalho
de inacabados sulcos em combates
entre nabos e abacates
de embates sem bates
de mascates de máscara pálida
partida de " un cadavre "
esquartejado em quatro partes
do " paradiso petrificado "
pára com isso colidir
um colibrí contra o vidro
curvo e blanco do oco olho
branco do ocaso contra

2.

o último tremor de morte
da línguagridoce
o silêncio do céu cintila
uma corrente de metal
lâminávida línguáspera viva
uivândalosonhos
tecidos no silêncio ocioso
diantespelho da noitespessa
o sanguestendido
um arco-íri(s)desce do escarcéunário
imenso ensimesmado riodiário
entre o denso frio
de almas entristecidas
de gemidos quebrados
onde lábioseios submersos
na nódoa amêndoa do mundo
da medula que acidula
o ácido de similar seiva o mar

salivas espumas saboróseas líricas
este perfil narciso
dentre postiço desvario
de vapor parvo
solstício de verão o inverno
onde acarí
cio o orifício dentrifício
são ossos do ofício
o negócio do ócio o oco do fósforo
a desforra da salamandra
o ar voraz de sandra
da razão envolver a árvore vertical
onde vou ver o mar
o vôo do albatroz
revolver o mármore suave do martírio
rever o amor
abalar a ave
tingir de vermelho a alma
o revólver atingir

a dor ir
revogável do duro ofício diário
o orifício do caralho
expelir a voragem no orvalho
a cor do carvalho
a cor da desaceleração
a coragem coração
o sabor da amargura
a levedura o langor
a armadilha a tortura
a tártara ruga
da tartaruga
a rusga entre a armadura
e a pedramole tanto embate
até que fode
e marche e desfolhe
e ore e descolore e descobre
a desoladora e vísceral arma
a empunhadura do punhal en
cravando a unha na espinha dorsal
(f)agulha

a aurora se mistura ao calibre da ferida
salferida de salmoura
a brisa de salamanca
a brasa da sombra
da cambraia da samambaia
a raia do arraial a arraia na praia
na memória a oratória da história
da palavra da vida
pálpebra entris
tecida deslumbrada e estremecida
a descida o sentido do absinto
o labirinto do abismo
o suicídio o estio o silêncio
tenro estarrecido
do cio o sorriso mentido
por inteiro o silvo
a sílaba o símbolo o bolo
o sim do digno o sibilo do sino

o esplendor estéril do espelho
o delírio do esteio
da dor do desvario o rio
uma rua me invade-me
ao fundo de frinchas vadias de chumbo
engendrando corpos
de finissímo vidro
incendiado de instantes
onde de imediato medito
o dia ferrugem
a desfigurar o hiato
o fulgor ferruginoso da queimadura
uma ingênua figura enfeitiça
a trágica alma tênue nua
ao longo de grandes sonhos hostis
teciam-me aos pedaços
pesadelos entre dedos amarelos

entre o sono
e o som da noite escassa
a caça: o ventilador em meu rosto
o vento sirocco
disposto sem norte
deixando-me louco
onde in
morocco meio maluco
um mameluco
num camelo eunuco
nunca havia visto o saara
onde a vista mais bela
eu avisto sara na janela
desta forma a areia na ampulheta
saindo pus dentre dentes
os olhos esbugalhados a punheta
sonhando com madonna marilynmonroe
charlize teron and sharon stone
a palavra pedra rolando não tem
sentido

3.

não tem sentido negativo
uma " nêga chamada tereza "
também não tem sentido positivo
tem princípio ativo
no desaterro do flamengo
teu chamego
me chame de teu nêgo
seu cabelo bombril
cor de brasil
tens perfil de mulata
batendo lata em retirada
uma bala de fuzil
na descida na entrada do morro
o tiro pela cu
latra cachorro que ladra
que grita pega ladrão
um suspiro no peito
foi preso o último suspeito
pelo tremor do morro

na finisterra escarlate
como se marte
fosse o temor da morte
não tem sentido não tem sentado
não tem estado
só tem sem-teto
só tem sem-terra estatelado
em estado de confusão
tem contudo cento e onze carandirus
corumbiara vidigal chico mendes
nova brasília favela da naval
quadragésima segunda dp 1989
sp eldorado dos carajás
roraima das madeiras
dos ianomânis a deus dará
rodovia pa-150 bras
ilha eldorado dos marajás
dos violados viadutos
violetas violência baionetas
borboletras

uma bronha
coloca uma fronha
na cara da raimunda
de raivosa e imunda bunda
está sor-
rindo o bussunda
por entre nacos de nu
vens do céu moribundo
" àquele abraço " de aço
31 de março aquarela do brasil
" aquela brasa mora "
ali do meu sol
ado esquerdo
chupando a amora
da namorada chupando
melado-de-cana
rechupando boceta prá caralho
dando na cama prá chuchu
nos lençóis dos teus cabelos encara-
colados um a um
nos caracóis da cachoeira
de itapemirim

parati para mim para-mirim
que me vou prá tramandaí
oh tremendão
e daí que a pa-
lavra me tece me retece me remete
etecétaras e tais
me derrete na mão
o chá das dezessete desinto-
xica da silva adeus à chica
a porcelana xícara
uma porção cara me excita
um bacanal me recita
um som de cítara no carnaval
uma batalha em guadalcanal
street uma doca estrita
mente leia-se leila diniz
um disse que me disse
tu me dá dez que te dou vinte

prá escrever uma " renga em new york "
que é maior do que a morte
só há vida após a morte
mas eu não creio nisso não
nem receio disso não
eu anseio teu seio na mão
malvada minha cara mal lavada
cheia de tesão eu te toco
touch me
em tocantins
caprichosamente boi garantido
em parintins
a palma da minha mão
no sertão do jalapão que o diabo amas
sou assim mesmo ensimesmado
lá onde o diabo
perdeu as sete botas do gato
eu vi um gato
resmiando à espreita
um rato atrás da porta

vê se te endireita
vira à esquerda na es
quina da mesa eu te como
sobre a mesa debaixo dela
sentada na cadeira
sem eira nem beira
à river
side do rio de janeiro
o teu passado da portela
oh! jardineira
que passa um slide do sambódromo
um drama sambado da mangueira
do morro do salgueiro
eu mo(r)ro na ex-barra da tijuca
ventania ao corcovado da urca
ao arco da lapa
que nhaca essa vida que não é vida
que não é vida é replayground
da minha vida é só uma ida...


4.
sem volta pra lugar nenhum
só revolta o ventila
dor do teto em meu rosto
que desgosto passou
um trem das onze passou
um rio em minha vida
de janeiro à agosto
do mar vermelho a finisterra do fogo
onde a américa inicia e termina
meu so(h)no no meu soho
na tribeca são quatro horas da madruga
e minhas rugas estão acordadas
enquanto minha mulher
de olhos bem fechados so
sonha aguardando o dia amanhecer
o sol tecer fios dourados de ovos
à beira do riacho

dentre flores e espinhos
dentre narcisos tulipas lírios
no céu flutua uma pipa
no chão rasteja um rio de formigas
minhas amigas cigarras de aço
esvoaçam perdidas
sobre a pedra da ponte caída
encontro-me no fim-do-mundo
onde tudo não é nada
onde nado sem saber o momento breve
onde minto
onde o bonde do bode é uma ode
e não fode com minha cabeça
do meu pau de pele rosada
e não pode o dia perolizado se confundir
não pode o dia confoder com tudo
e com todos

com a noite senão
dá madrugada da manhã
e aí o universo se anuncia à poesia
a poesia não adia não arrepia
o pássaro não pia
nem seus quadris rodopiam
cobrindo os peitos pelos (en)cantos
de ushuaia
não suporto o frio
vindo do sul do norte da antártida
enregelando os sulinos montes
os sulinos campos
as sulinas cidades
as andinas montanhas
a restinga do albardão dos albatrozes
de algodão branco
como branco do branco
dos teus olhos

dos teus sueteres
teus seres das tuas serestas
das arestas das sestas das sextas-feiras
da novela das sete dos setecéteras das eras
das heras que te cobrem os teus muros
os teus seios brancos de bicos duros
e oleosos róseos e dourados
que chupo e rechupo
e reduzo a champanhe
como com champingnon
e inhame e pinhão da terra
trufas negras com trutas grelhadas
na manteiga negra com alcaparras
e violeta parra
sorvendo tequila com absinto
e dolce de uvaia e limão

eu li na tua mão as tuas linhas
da solidão tu com o corpo arqueado
de quatro querendo que eu entre
querendo e querendo
que eu reentre novamente
na tua mente derr
amando doce-de-leite
e copos-de-leite e mais leite
e se deleite e se dê leite
e se deite líquido branco viscoso
que coso leite-de-côco
cor de gelo que grelo gostoso
entre meus dedos
lodosos te enfio e te teço
um terço uma ave maria um padrenosso
meu deus do céu
minha santíssima virgem

te sinto diabólica e bucólica
sem cólica sem coca sem cola
sem cajuína sem marijuana
minha joana minha maria
sorria e me arranha me estranha
me mata me ata a ti a teu corpo
a tua cor a teu pó
a teus pés me chama de zé
e só e nada mais
em bariloche en una
noche mui caliente mui abajo de zero
il fredo che me entranha nos ossos
nos olhos nos sonos
nos sonhos nos soalhos en nosotros
os alhos porós nos poros
no pó na retina

na retilínea
na retícula curva do teu corpo
a curva del cerro e me encerro
na chuva na uva do vinho tinto
não minto prá ti nem um minuto nem por um
instante nem peço socorro
nem corro só para onde vamos
eu não sei só sei que corro e corro
e correndo vamos para onde
el diablo quer
quisera o dia em que
eu entediado fizera do sonho odiado
um fio de poesia
tensão e energia minha guia
minha gula minha (f)agulha
que enfio goela abaixo até o coração
explodir pelos poros...

5.
o olmo
contratudo contratodos
contra homo
plata contra o homoplástico prata
ao contrá
rio do homem côncavo
osso em arco escavando
todas as cousas na escuridão
cadáverminosa curva que escorre
turva que é cor ruiva e raivosa uiva
que viva vibra brumosa acorda
escor
pião-rosa embriagado de chuva
bagas de uva cheirosa
um odor de salgueiro à ribeira do riacho
que com a dor da salmoura
em nacos de pele escarlate
t
ardia a sólidalma

levantando vôos
em leves ares
em antares em anta gorda
em antonina em antananarivo
em antofagasta
antanho anteontem
estorvalhar a retidão do esplendor
e ardor penetrando
bordas da escuridão
como um cadáver vivo
vendo-se imenso calcário
rio aéreo como concha oclusa
no mar da solidão
cor rompendo a dor adornada de ouro
orando em matadouros
pelas carnes pela c(l)aridade
dos entreodiados dias murmur
ando alternantes sussurros
entre o céu e o inferno

entre o horror do pecador
e a tortura do salvador
para onde só se sobe de elevador
numa velocidade póstuma
nem mínima nem máxima
porque a máxima é:
" elevar-se dentro de si para ser "
num papel almaço
desenho um albatroz
no alcândor de alabastro
para alçar a alma além-mar
à alfama do alcáçar
onde alfanges e algemas
prendem-me alhures

onde a luz se faz solar
e evapora serena
seda foice só ou faca
a sede sabor de sangue
entrever entrevas o mar
por onde ondas virilhas
formam e ruínas domam
caramujos marujos medusas
em tuas conchas sereias
raias nas areias cast
elos castos caranguejos
náufragos búzios gr
ávidos peixes de tédio
dejetos de gestos desejo(s)
asas tenras de morcego negro
este amor
cego que nego que carrego e cedo
aturdindo deuses e rochas
antes tarde do que dante
em incêndios medita errâneos
meus dias de inferno
na terracéu de ninguém
como se algo tão fósforo

à espreita a serpente mordendo
o sol num sobres salto a corda
entre o dia marginal e a tarde centelha
no(s) olho(s) do papel um tornado
outro branco
na têmpora o caralho dentro
contra o medo destempero
o centro endro coentro sal alho
decerto o vento elabora outro (in)vento
de silen ciosas salamandras not
urnas derrubam
elefantes negros da parede
a fruta cristal de mármore
um caçador de vampiras
e o pássaro eunuco
espermas do céu de chumbo...

6.

são mil cavalos de forças suicídas
em teus ouvidos uivando
como se o crescente vento crescente
fosse (n)a escuridão cadente
de uma estrela cadente
irradiando o sabre
relâmpago sabe o corte cálidoscópico
e inconcluso haraquirinsano
de tentáculos que se abrem
em lábios gomos revérberos
aerados de membranas

hímen-
soldáveis à deriva
soçobrados navios
entre albatrozes de asas ninfas
brindando demônios verdugos
ébrios noturnos fígados
enterrando seus vivos
onde ardem na tarde
incendiária de abutres
os céus do sol solitário insólito
de hienas e vômitos
onde vespas espalham
bolhas e violetas e bordados
esmaltes de lótus
sugando o iceberg do mar
esse fragmonstro marinho
vertendo algas em polvo-
rosas pássaros náuseas
chuva de anchovas
sobre os ombros da sombra
um fio de sol medita

enquanto casulos soluçam
bocejos de tédio
o corpo vibra aspirando
o fôlegozoso do fogo
entre vértebras e detritos
trema(s): elas se abutrecem
telas de estrelas além-terra
entretê-las trêmulas
enterrá-las sob as telhas retê-las
e tremam em trilhas
de tarântulas nas entrelinhas
estrelinhas estrilam
este brilho estribilho de trégua

exalando a dor que labirinto
algo dão tecido de linho
sobre o dorso do teu corpo
pensa o pulso pulsa
o hálito ferrugem
entre lábios veludolorosos
que absinto e absorvo
larvas de intrigas
e flagro o sopro
sabor dos poros
que explodo e exploro
do saborácido musgo rosso
te devoro
o alvoroço do coração
logrado e disperso
litário absorto entremeados
delírios um rumor suss
urro(s)

como os passos elaborados
das dobras do dromedário
o medo diário dorme
o dia árido em
vocábulos de libélulas
e fábulas e luas
rasuras sus pensas sais de rosas
(r)uivas essa dor concisa
no ciso convulsivo da vulva
salivas tua uva agora uvaia dançarina
e se resume:

- em candelábios de argila

às trevas cimitarras sarracenas
e garras tigrinas
cítaras metáforas
essa atmosferambarina
a lâmina cibilina o imã gina:
o sublime sonho sinuoso do trovador
o canto em fragmentos da cigarra noturna
e um cortejo de corvos
da alma carcaça
esse atol de mariposas albinas
na relva veludosas
onde escravo
inflames palavrorazes
sobre essascigarras
ferozas de incessantes
asas translucidadas de cambraias

dançarinas silábias
que transformosam bordéis
em suas alcoovas
de incadelabrosos menestréis
sob a cor calciana do céu
caudalíricoroso
açulam anáguas
re(des)cobrindo salam-
ancas de nuvens
névoas dos meus risonhos
entrediados crepuscu
lunardos
da chuvaia enveredada
de campostais

trigonomestrias
do esculdorante escarcéu
estreliçado espantalha-se
com o encobriçado pelostrino
sossobrio dezimbro no lustro
que abutrece o sacr
ofício de seu tresvôo
sombrero doceano
um bater-de-asas
na imensa exaustidão imensa
do cinzentostado tédio
do diabucólico
desse dracão rosácido
de víviboras que murmurram
pelas entrelvas
entre velustrosos destrossos
imensorvendo devassalaservas
entre o risolutodiário verão douradornado
de tesouropó
e o infernomenal invermelho
de fibras mórulas...

7.

céus
de montes longes
estrelados belos
em vôorvalhos de fagulhas
num espetalar de dissolvidro sol
em contínuas emolduragens zen
untado de óleopardo mais zanzibar
do que amarelosóis da rubria-terra
em ostras palávridas nascentelhadas
no desorientenebroso horizontem
das orelhas do ventre-livro:

drupáceas flabeladas de incrustáceos
caducifólios bilobados sobre mimmesmo - 

                   unha velida volvoreta               (1)
en canto un rascaceo
en anacos calaveras
esculcam tebras

transborboletras frinchadas
corcircundam odores melíferos
de purpurina onde salivorescorrem
pelas guelras das siloitas
páginalvas soltas (f)rugindo
como mercenárias hienas
de cielosflamejantes
até silvanas áfriicas
de vísceralmas semiclaras
ao pátrio armado:

a obscuras vive el vértigo sin párpados
y en el cielo unánime brotan súbitos pájaros

imparênteses entristecidas teses
de gingerlinas glabras
estes tristes traços
entre a incerteza
do ser tão de teresina
e o " teseu de trezena " -
testemurro-a sobre(a)mesa de amora !?
gergelimacídea ?! aroma de romã ?!
" uma rã estria n'água respingo de lágrimas "
- arremesso a palavra pedra
como se fosse o começo
e não meço a (in)conseqüência
da queda que revela
ao vento vendo-se movendo
onde escrivo palavrouras intrigadas
de trigores heliantos ocultos paradisos

quem no fulgor do poente corrói
o brilhoso sol tombado
no instantespesso da florvalhada
mais suave ?

- relâmpagos de silhuetas -

singradura de estrebelhas em tramas
às margens está
tua face de mármore
e sei os duros cedros entre fôlegoles
de cidra e dentres de mar gim
embriagando os teus esfolhos envidrados
olhos brigando entre si -

chega de trama chega de drama
aconchegaqui teu corpo um copo d’água
o teu corpo de áquila no aconcágua
um condor enregelado a lado
regendo o andes quer
onde
tu andes seja em meu corpo
ou na senda de silvos satirídeos
em rochamuscadas de rascaceos
como suavessas rapinas
de utopázions entreabrindo
insinuantes málpedras
esquivando-se do olhar
do espelho sobre
este mar de tenebras

8.

vou me ver domado
dormido corroído
doído de cor roída cor
das indas e vindas da idade
da cidade da cicatriz
da cicatricidade
da eletricidade da elegância da iguana
da eleganância
da gana da ânsia
de ler um jornal
fazer um jogral
ver um grenal
achar o santo graal
e ter e reter e tomar em terezina
todo o éter e pro
meter a mão em teus meios
onde semeio o sêmen em teus seios
o gosto de menta
a semente somente
e tente outra vez
abrir a página dez
abrir a vagina
com teus medos
teus dez dedos
tua sodoma a minha gomorra
na tua cara
nossa masmorra
e não morra agora
nossa senhora
e não corra no saara
porque o solmovediço sol
sobre a areia movediça
é uma treliça de madeira
sereia se queres
mamadeira
eu quero leite de côco
eu quero teu leitoso
oco
quero teu leito formoso
te dou um soco
e só ouço a louça quebrar
e requebrar e quedar
e chedar o queijo o remelejo
teu beijo de ameixa me ajeita
meu remelexo em teu jeito
o teu seixo em teu sexo rolado
em teu solado em meu sol
amargo o salamargo em salamanca
as tuas ancas não largo
eu te afago em wells fargo
no largo de lagos
nos descobrimentos de algarve
mediterrâneo descubro teu rosto
cobre cor-de-mel
ainda hoje vou-me
embora para pasárgada
a passos largos levando
tua boca esgarçada
tuda boca engasgada
teus pássaros de bora-bora
vão passar mel com manteiga no pão
do japão do jalapão de pimenta jalapeña
tabasco e jamaica maria da penha
no país basco sinto o teu asco
ascolta questa parola
stesso peccato posto al fuoco
o foco é o osso exposto
deposto de si mesmo
depositado desossado desfiado
não vendo fiado
só vendo para crer
o fio da meada o fio maravilha
a ilha do timor
onde o tremor da morte
o temor segue a leste a sueste
ao farwest ao everest
este que fica a oito mil léguas
e tantos metros acima do mar
altro punto lontano lungo de lago di cuomo
onde teu cu eu como
dando tiro pela culatra
pelatrina cuando ladra pelas crinas
cadela de candelabros
de carnudos lábios
cornutto de cor marfim
ao mare alla fine del mondo
onde a onda
omelete de fios de ovos
e baba salobra
no café da manhã
o oba-oba do bicho da goiaba
o sal o salário a salada
lado a lado orleados de alface
em tua face em aljazur do algarve
ao faro
sinto-te o bafo na nuca
cabelos belos de elos
sinos e signos vão bater
na catedral o teu destino de dédalo
que desejo o ensejo e não enxergo
não enxugo tuas lágrimas
as nádegas e nada
esta tua pele este teu texto aveludado
de branca de neve
na estrada onde se deve parar
pára tudo
o paralelepípedo saiu do lugar
teus parapeitos páraraios
saíram do lugar
que o partam ao meio
saíram do lugar
são espartanas tuas tetas
espartanas estas dádivas dos deuses
setas que tantos dardos já fincaram
e te acetaram e lhe cercaram
e secaram com toalhas
com olhos de papel
de tom pastel o teu mel
sou teu menestrel minha estrela
meu pulsar meu quasar meu pó
minha estrela-do-mar
meu pé de laranja-lima
meu limão meu limoeiro
meu pé de jaca-randá
me lima os calcanhares
minha galáxia de antares
minha axila minha asfixia
minha estrela guia
minha esfiha anfitriã
energia estrela anã
não estou em annan
vietnã saigon
zona de bananas de diamantes
de arrozais de rosas ruivas
mas sim na conchichina
na zona de aflitos
de conflitos de confetes e serpentinas
como jogar nos aflitos do recife
do capiberibe tico-tico bolo de fubá
farinha de milho de milhões e milhas
que percorro atrás de alibabá
e os quarenta ladrões
corro atrás da babá
da minha vizinha
que me visita dia sim e dia também
amém meu deus do céu
minha virgem santa minha nossa senhora
meu pai nosso que estais no céu
que coisa essa mulher de colher de pau
na mão comendo mamão feito bezerro mamão
dando berro de desespero
não erro porque quero-quero
bem-te-vi pela janela
saracura sabiá o que fazia
corruíra minha dor e não espero
por nada não
só quero o que é meu
e só
curvas calientes
em madrid de san isidro
onde gabriel e mel
viveram e sobreviveram
às margens do manzanares
de belos ares
"alcalá de henares"
- "al marit" fonte de água -
depois majerit por fim madrid
reino de castela cidadela de el pardo
onde ardo ao sol do meio dia
do cerro de los ángeles
a guadarrama
que se esparrama pelo chão
quando nasce o sol da manhã
e lá gabriel e mel viveram
felizes para sempre
ou quase

(1) língua galega

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